quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O Plano de Deus...


O plano da mediação de Cristo foi revelado aos anjos muito tempo antes de sua realização. Deus sabia então, desde toda a eternidade que os anjos, tanto quanto os homens, tinham necessidade dessa mediação, sabia ou não sabia que certos anjos falhariam que a sua queda acarretaria para eles a condenação eterna e sem esperança de retorno; que eles seriam destinados a tentar os homens e que estes os que se deixassem seduzir, teriam a mesma sorte?Se Deus sabia disso tudo, então criou os anjos em conhecimento de causa, para a perda irrevogável e para por a perder a maior parte do gênero humano. Por mais que se faça é impossível conciliar a sua criação, em face de semelhante previsão, com a sua soberana bondade.Se por ouro lado ele nada sabia, não era onisciente nem todo poderoso. Em um e no outro caso, temos a negação de atributos sem a plenitude dos qual Deus não seria Deus.“Pois não é a anjos que ele sujeitou a vindoura terra habitada, da qual estamos falando”.
(Hebreus, cap.2 v.5)
Se admitirmos a falibilidade dos anjos, semelhante à dos homens, a punição é uma conseqüência natural justa da falta cometida, desde que se admita ao mesmo tempo a possibilidade do resgate para o retorno ao bem e a expiação, não haveria nada que então desmentisse a bondade de Deus. Deus sabia que eles faliriam e seriam punidos, mas sabia também que o castigo temporário seria um meio de fazê-los compreender a própria falta e, portanto reverteria em seu benefício.Assim se cumpririam estas palavras:“Deus não quer a morte do pecador, mas a sua salvação”.(Ezequiel, cap.7 v.20)O que seria a negação da bondade de Deus são a inutilidade do arrependimento e a impossibilidade de retorno ao bem. Nessa hipótese é rigorosamente exato dizer que: ”Esses anjos desde sua criação, pois que Deus não podia ignorar, foram destinados ao mal pela eternidade e predestinados a se transformarem em demônios para arrastar os homens ao mal”.Então foram eles banidos irrevogavelmente da cidade celeste e precipitados no abismo.“Mas saíram para que se mostrasse que nem todos são dos nossos”.
(João, cap.2 v.19)
Por essas palavras entendemos que eles foram relegados a um lugar de suplícios onde tivessem de sofrer a penalidade do fogo, conforme o que diz o texto do evangelho, que procede das próprias palavras do salvador:“Ide malditos, ao fogo eterno que foi preparado para o demônio e seus anjos”.
(Mateus, cap.25 v.41)
“São Pedro diz expressamente: Que Deus os enviou às cadeias e as torturas do inferno: mas nem todos ficam ali perpetuamente; somente no fim do mundo é que serão encerrados para sempre com os condenados. Atualmente Deus ainda permite que eles ocupem um lugar na criação a que pertencem ordem das coisas à qual se liga a sua existência, nas relações enfim que eles devem ter com os homens e das quais abusam da maneira mais perniciosa. Enquanto uns permanecem na sua morada tenebrosa, servindo de instrumento à justiça divina, contra as almas infortunadas que seduziram numerosos outros, formando legiões infinitas e invisíveis, sobre a conduta de seus chefes, moram nas camadas inferiores da nossa atmosfera e percorrem todo o globo. Estão infiltrados em tudo que se passa neste mundo e na maioria das vezes desempenham o papel mais ativo”.Os anjos são assim agentes provocadores predestinados a recrutar almas para o inferno, e isso com a permissão de Deus, que sabia, ao criar essas almas, a sorte que lhes estava reservada.Que se diria aqui na terra de um juiz que usasse semelhantes meios para encher as prisões? Estranha idéia que nos dá da divindade de um Deus cujos atributos essenciais são a soberana justiça e a soberana bondade!

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