domingo, 18 de janeiro de 2009

"Nossa Senhora"


Mateus trás a informação de que José, ao saber que sua noiva estava grávida, não teria compreendido inicialmente que Maria recebera a importante missão de conceber o Messias e se afastou dela. Mas em sonho, um anjo o revelou a vontade de Deus, e aceitando-a, recebeu Maria como esposa.
Segundo (Lucas, cap.1 v.39-45) Maria, que estava em Nazaré, foi até uma cidade na região montanhosa de Judá. Não se sabe que cidade era essa, embora muitos estudiosos indiquem Ain Karim como a cidade mais provável, a seis quilômetros a ocidente de Jerusalém. Muitas vezes esta informação nos passa despercebida, ou pensamos que a casa de Isabel seria nas proximidades da sua, pelo que convido os leitores a olhar para o mapa de Israel. Isto é uma viagem de mais de 80 quilômetros em linha reta. Mas não era possível uma viagem em linha reta, não só devido ao acidentado do terreno, como pela necessidade de atravessar a Samaria.
Geralmente os samaritanos atacavam os que passavam pelo seu território, principalmente quem fosse para Jerusalém.
Assim, pelo que vemos a partir do versículo 39, Maria seria do gênero de mulher dos meios rurais, inteligente e com muita iniciativa. É impensável que fizesse sozinha essa perigosa viagem à casa da sua familiar Isabel. Certamente que se integrou em algum grupo de peregrinos a caminho de Jerusalém até atingir a tal “região montanhosa” onde vivia Isabel, numa época em que até para os homens era perigoso viajar sem ser integrado num grupo que pudesse se defender dos assaltantes. Geralmente caminhavam para nascente para depois seguir para sul, ao longo das margens do Rio Jordão. Assim os 80 quilômetros em linha reta ficariam em cerca de 120 a 150 quilômetros. Era mais ou menos a distância da Marinha Grande a Lisboa, só que em vez da hora e meia que demoramos pela auto-estrada, ou quase duas horas de carro expresso (ônibus), eles deveriam demorar alguns dias numa perigosa e cansativa viagem, alguns a pé, e outros montados em animais.
Só este pormenor, já nos mostra a grande iniciativa, coragem e resistência de Maria, certamente jovem habituada aos violentos trabalhos do campo que dificilmente posso identificar com a figura delicada de muitas imagens do catolicismo, fruto da piedade dos artistas.
Lucas não nos diz qual o motivo de Maria efetuar apressadamente esta longa e cansativa viagem a casa da sua parente Isabel. Será que Isabel, sendo mais velha, era a confidente ou conselheira de Maria? Certamente que, depois do aparecimento do anjo Gabriel, Maria sentia necessidade de contar a alguém de sua inteira confiança. Será que procurou em Isabel, o apoio que não encontrou em seus pais e temia não encontrar em seu marido? É muito natural que alguns dias depois, Maria ficasse com dúvidas sobre essa aparição tão estranha do anjo Gabriel. Será que sonhou? Ou foi mesmo realidade? Seria necessário confirmar essa visão. Talvez Maria tenha pedido ajuda ao Senhor para lhe confirmar essa visão.
É bem conhecido o encontro de Maria com Isabel e a revelação do Senhor a Isabel, segundo parece por esta descrição, antes mesmo de Maria contar que um anjo lhe tinha aparecido. Era a confirmação da aparição do anjo Gabriel, de que Maria tanto necessitava. Isabel ao responder à sua saudação:
Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!
(Lucas, cap.1 v.42-45).
“Minha alma magnifica a Jeová e meu espírito não pode deixar de estar cheio de alegria por Deus, meu Salvador; pois ele tem olhado para a situação humilde de sua escrava. Porque, eis que doravante todas as gerações me proclamarão feliz
(Lucas, cap.1 v.46-48)
Maria de Nazaré tornou-se uma das personagens mais misteriosas e emblemáticas da história da humanidade. Através dos séculos, milhares de pesquisadores de várias correntes científicas e religiosas se dedicaram a pesquisar os segredos e mistérios da mulher que recebeu a dádiva de gerar, virgem, o filho de Deus na terra, Jesus Cristo. Uma obsessão tomou conta daqueles que se empenham em decifrar os enigmas que cercam a figura da virgem imaculada tocada pelo Espírito Santo.
Maria foi preservada de toda a mancha do pecado original desde o primeiro instante da sua concepção, por singular graça de privilégio de Deus onipotente e em atenção aos merecimentos de Jesus Cristo salvador do gênero humano, foi revelada por Deus e que, por isso deve ser admitida com fé firme e constante por todos os fiéis.
A profunda devoção dos católicos por todo o mundo a encobriu de títulos como: Nossa Senhora de Nazaré, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora de Fátima, dentre outros.

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